MAKING OF - ROCKSTAR

ROCKSTAR - SUGAR KANE - BASTIDORES

Quando o Capilé me chamou falando que queria que eu dirigisse o novo clipe do Sugar Kane fiquei feliz, já havíamos feito umas coisas quase na época em que eu tinha começado a fotografar, inclusive já tive a felicidade de ter uma foto minha no topo do myspace da banda na época que o Vini ainda estava por lá e um pouco antes do “A máquina que sonha colorido”.

Além disso pra mim o Capilé é um dos caras mais HARDCORE do rolê do ROACK!! Digo isso porque desde a época dos primórdios da internet, e quando eu ainda morava em salvador, eu já via ele e o sugar kane divulgando as músicas pelo IRC, que pra mim foi onde tudo começou. Lá de salvador eu já conhecia bandas como o Sugar Kane(com o famoso Continuidade da máquina), Fresno, Aditive entre outras.

Acho que toda essa galera merece coisas boas, porque sei que tão ai a anos e o Capilé é um deles.

 A gente não sabia muito bem como que ia ser o clipe mas ele já sabia o que queria, mostrar a banda com sua nova formação e com essa pegada nova(inclusive com as novas músicas em inglês). Primeiramente tínhamos pensado em algo em São Paulo mesmo mas depois de um tempo ele me disse que seria em fortaleza na praia da taíba na casa do Maurilho(o cara da cena do nordeste) inclusive me mandou umas fotos que eu infelizmente não olhei muito bem mas disse vamo nessa.

Passagem marcada pro dia 17 de julho, onde no dia 16 acontecia a maior festa da premiação da música brasileira, o VMB, e eu tava louco pra ir, obviamente pra festa, e pensei que a passagem tinha sido marcada pelo menos pro dia 17 a tarde. Foi quando soube que o ônibus da AZUL ia sair as 7 da manhã da barra funda e que eu teria que curtir menos a festa e ir direto pro aeroporto o que diga-se de passagem me deixou bem puto(rs). Mas ossos do ofício.


Chegando no aeroporto, daquele jeito que só quem já foi na festa do VMB sabe, fomos fazer o check in. Foi quando a pessoa da azul pediu “-Identidades por favor”, e como quem ta no rock ta sempre no rock(pra não dizer ao contrário) é claro que a minha identidade não estava comigo. A situação era a seguinte, lá estava eu a 1 hora e meia de são paulo, com o vôo prestes a sair, completamente bêbado e sem a identidade. Na mesma hora fiquei sóbrio olhei pro capilé e disse a famosa palavra FOD…!!

Bem, conseguimos resolver a situação e eu embarquei com um pedaço de papel de B.O dizendo que tinha perdido a minha CNH (que eu já tinha lembrado que estava no meu maldito scanner porque precisei enviar o documento via email) e lá fomos nós pra fortaleza, que é DEMAIS!!

Chegando lá fomos pro hotel porque teria show no mesmo dia a noite, e o clipe estava marcado pro dia 18 logo depois do show (o que eu duvidava e muito). Rolou o show, fomos pro hotel e nem dormimos, pegamos as coisas e fomos pra casa do maurilho na taíba.

Vista da praia da Taíba

Eu sabia que ninguém ia ter condições alguma de gravar nada de manhã, sendo que o back line também não tinha chegado, bem como a galera que ia vir na VAN pra fazer o clipe e as luzes e todo o resto.

Quando já era 11 da manhã finalmente acordei e tava todo mundo ainda meio que dormindo, comecei a analisar a locação e percebi que não ia dar pra fazer NADA do que eu havia pensado e o lugar nem era tão bom assim (apesar da casa ser demais). A van que ia trazer 14 pessoas pra gravação tinham vindo com 4 e as luzes não davam pra competir com a luz do sol. Começou o desespero, que eu claro compartilhei com a banda e com o Roger Capone que tava me ajudando na produção e direção.

Eu já tava naquela de “não vou conseguir filmar nada aqui, e agora?”. Comeceia andar desesperadamente na parte de fora da casa que dava pra praia foi quando avistei 
o muro que separava a nossa casa da do vizinho, fui até a direção do muro, 
fiquei na ponta dos pés (quem me conhece sabe o porque, rs) e quando olhei o
 quintal do vizinho na hora saiu um EURECA, era lá que ia rolar o clipe. Sai 
correndo e disse pro maurilho, bem agora é contigo, quero o gramado do seu vizinho
, se vira.


Set do clipe no vizinho

Como sempre, o cara é descolado e resolveu a parada, me disse que tava liberado
e começou a produção. Ainda faltava resolver o problema das figurações e da luz.
A lux eu bâti o pé e disse, “Essa luz que temos agora não rola, temos que esperar
chegar umas 15:30 e então rodar”. Nesse meio tempo montamos o back line e comecei
a arrumar as cameras enquanto dava uns bicos no churrasco e na cervejinha pra relaxar
e entrar no clima do “ROCKSTAR”.


Rick

Pindé

Flavinho “Ventura” e Rick

Rick

Capilé e Flavinho

GERAL

Bateu 15:30 e eu estava certo, a luz era LINDA, totalmente califórnia com o mar e os coqueiros ao fundo, do jeito que o clipe pedia. Mas quem conhece luz sabe que de 15:30 pra ficarmos quase sem luz é um pulo, geralmente 2 horinhas no máximo 3 e começamos a rodar o clipe frenéticamente, debaixo de sol, suando e aproveitando cada minuto.

AÇÃO

Pausa para o chope, maurilho, o anfitrião, servindo

Pausa pra olhar como ta ficando

Não foi preciso usar luz nenhuma, só o sol que nos brindou com uma VIBE linda e a coisa toda simplesmente aconteceu, depois fomos filmar a galera na festa que realmente se tornou uma festa, tínhamos um barril de 80 litros de chope e uma galera amarradona.



Sugar Kane e Maurilho, um dos que ajudou tudo acontecer

Depois do trabalho feito rolou uma festinha de comemoração com o que tinha sobrado dos 80 litros de chope. Foi muito bacana e gratificante, missão cumprida.


Resultado, tudo fluiu lindamente, sai da taíba praticamente com o clipe pronto pois 
eu não consigo me controlar, sou workaholic e já comecei a editar lá mesmo. Acertei
 o tratamento da cor do clipe por lá e quase que o clipe ficou pronto antes de chegar em são paulo, eu tive apenas que inserir as imagens da festa com a ajuda do Capilé.

Bem, foi mais ou menos isso…espero que tenham gostado do resultado.

P.S: Foi muito bom filmar descalço e com os pés na grama!!!

FOTOS: Arthur Henrique

See ya…

Kent



ROCKSTAR - SUGAR KANE [CLIPE OFICIAL]

MEU PRECIOSO - JULHO AGOSTO 2010 / LONDRES

Assim que fiquei sabendo que existia uma possibilidade do Vivendo do Ócio tocar em londres no brazilian day achei que poderia render coisas muito bacanas entre clipes e fotos e toda uma história pela europa.

O convite foi oficializado e começamos a criar expectativas sobre o que faríamos em londres nos 22 dias que se seguiriam, particularmente eu estava com várias idéias na cabeça mas ao mesmo tempo nervoso com o que íamos encontrar por lá, afinal estaríamos em outro país, falando quase sempre outra língua e sem ninguém pra ajudar, nem gravadora nem amigos e nem nada, era a gente com a gente mesmo.

Acabamos indo sem nem saber que música iríamos filmar, tínhamos uma idéia mas não estava nada certo e nem confirmado, depois de muitas brigas e perguntas e divagações acabamos fechando qual seria a música do próximo clipe da banda, MEU PRECIOSO, a partir dai uma outra etapa começou, preciso lembrar que dentre tudo isso os dias passavam e passavam e passavam e a carga em cima dos meus ombros só aumentava (e se não saísse nada do que tínhamos imaginado?) Mas agora já estávamos na etapa do conceito, roteiro e realmente o que ia acontecer, ou não, no clipe.

Davide tinha ido dormir no outro lugar que mudaríamos no dia seguinte, e nós estávamos ainda no centro, mais precisamente no REX HOTEL, não me lembro muito bem o endereço, ficamos eu, jájá, dieguito e luca discutindo como o clipe iria acontecer. Eu não queria fazer nada óbvio (o que é sempre bem mais difícil, a idéia) e não agüentava mais pensar, queria a ajuda deles porque tudo que eu pensava acabava sendo maior do que tínhamos no momento, em termos de produção.

Finalmente começamos a pensar na letra e no roteiro, já sabíamos como iria acontecer mais ou menos, pois luca e dieguito já tinham tido várias idéias bacanas, foi então que eu fiz a derradeira pergunta: -“Galera eu não to afim de fazer nada obvio, to afim de ir um pouco mais longe do que a letra diz. Sabemos que a menina pegou o blue babel, isso todo mundo sabe, mas a grande questão é PORQUE ELA PEGOU O BLUE LABEL?”.

Nesse exato momento dieguito teve uma idéia bacana pro final, que era a de que a menina tinha roubado o blue babel só de sacanagem e além disso ter largado o personagem da música em questão por outra garota. A cena final a gente meio que se inspirou numa das cenas do filme Blow Up (1981) que o pai de davide e luca tinha mostrado pra gente.

Agora depois de tudo acertado era a hora de partir pras locações, eu tinha milhares de referências pra rodar em londres, e quem não tinha??Cada canto daquela cidade é um filme, é uma foto, é uma loucura. Eu tinha em mente o clipe do The Verve que na época me deixou super impressionado, da música Bittersweet Symphony e estávamos perto de tanta coisa que remetia a isso, ao mesmo tempo perto e longe porque no outro dia já íamos pra região do distrito Croydon, onde davide já estava,  que fica na zona 5 de londres(se não me engano, do metrô) e não teríamos mais o ambiente super urbano onde estávamos, o que foi bacana também porque desde o começo eu não sabia o que eu queria mas sabia o que eu não queria. Não queria usar nenhum tipo de ponto turístico e nada desses lances xurumela de quem vai viajar, queria que fosse algo muito normal, como se eles morassem realmente em londres e estivessem totalmente situados na cidade.

Locações resolvidas ainda precisávamos de uma atriz, que ia ser a personagem principal, a malévola que iria roubar o tão precioso blue label do jájá, e o tempo corria cada vez mais rápido, inclusive já estávamos de passagens marcadas pra amsterdam(mas isso é uma outra história).

No dia do Brazilian day acabamos conhecendo a Priscila Dantas que trabalhava na produção do evento, ela também é brasileira mas mora por lá desde um tempo, liguei pra ela e perguntei se ela tinha alguém pra indicar e ela ficou de me ligar. Logo depois me ligou dizendo que tinha achado uma amiga a Fany Alice Ramis mas que ela, como quase todos em londres, trabalhava em dois empregos, além de estudar e só podia gravar no domingo(tipo UM dia depois da ligação).

Priscila Dantas

Priscila Dantas

Fany Alice Ramis

Fany Alice Raim

Bem, estava tudo pronto, só me restou rezar e agüentar a cada vez maior excitação da banda, e que acabou gerando mais brigas (é o ROCK) e partir pro ataque. Carreguei todas as baterias das câmeras, formatei todos os cartões de memória, arrumei os tripés e la vamos nós, pra varias fomos dormir MUITO tarde e acabamos acordando bem cedo, aquele lance bem acabado sabe?? Ainda não estavamos totalmente acostumados com o fuso, e pra falar a verdade nem me acostumei de fato. Acordamos e são pedro, que fala todas as línguas, graças a Deus nos presenteou com um belo dia de sol e de luz super difusa que foi lindo lindo, a luz européia é maravilhosa.

Arrumei a minha 5D a 7D e a T2i, e as lentes 10-22, 17-40, 50 mm e 70-200 e lá fomos nós, andando pela cidade (literalmente ANDANDO), pra achar as locações.

Começamos na casa onde estávamos, da nossa querida Rosária, que nos hospedou por longos dias. Comecei obviamente com as cenas da fany porque logo no outro dia ela não podia mais gravar. Logo depois fomos para as ruas, eu queria porque queria gravar num típico grossery store londrino, daqueles que os indianos estilo simpson trabalham e a Priscila mais uma vez foi demais, veio correndo dizendo que tinha conseguido um logo na esquina, rodamos a segunda parte por lá, depois fomos numa locação que o davide tinha passado quando foi pegar um trem, que era a ligação de um lado da rua até o outro lado da estação, rodamos a segunda parte por lá e o mais surreal é que quando o dieguito atuava tocando violão no chão do túnel gente que nós nem conhecíamos acabaram jogando moedas de verdade pra ele, isso foi surreal e muito engraçado.

Casa da Rosária

Casa da Rosária

Grossery Store

Grossery Store

Indiano gente boa

Indiano gente boa que liberou a lojinha

Saindo de lá fomos pra mais uma locação que o davide em suas andanças tinha visto, um labirinto animal no Crystal Palace Park que era surreal, muito bom mesmo e super cinematográfico, fiquei maluco. Dessa vez fomos de taxi e torramos mais alguns pounds.

Crystal Palace

The MAZE

The Maze

Nisso o dia já estava caindo e eu precisava rodar várias coisas ainda, entre a espera de milhares de crianças, que brincavam no labirinto, se cansarem e saírem de lá acabamos conseguindo rodar tudo mas obviamente a custo de um certo aumento de ISO nas câmeras para compensar a luz, o que não chegou a afetar muita coisa não.

Dirigindo a Fany

Depois eu ia precisa filmar todas as cenas que fiz com a Fany de novo com o jájá pois seria impossível no tempo que tínhamos, pensando no tempo dela inclusive, de fazer tudo no mesmo dia.

O que achei mais bacana de tudo é que em todas as locações, onde não tínhamos o mínimo controle de nada (várias cenas bacanas que tive que cortar por causa de invasão de pedestres, pessoas entrando no cercadinho, crianças brincando no parque) é que encontramos muita gente que vinha falar comigo e com os caras, queriam saber quem éramos, o que estávamos fazendo, se era filme e etc…achei isso surreal.

Acabou até rendendo uma entrevista dos moleques pra TV regional Croydon que aconteceu no show deles do DUBLIN CASTLE pub.

Bem, espero que tenham gostado da história, certamente tem muito mais detalhes só que o texto iria ficar IMENSO.

Espero que quem viu o clipe tenha curtido e quem não viu tomara que curta.

See ya

Kent